
Poderia ser que aquele seu sorriso tão doce e congelante não fosse o que eu quisesse ver.Tudo bem. Tenho que admitir que não fui uma das melhores namoradas que já teve. Era um mês de frio. Junho. Chovia forte e você me abraçava enquanto a ventania agitava meus cabelos. Era o mês do meu aniversário. Ficamos juntos durante dois anos, dois meses, cinco dias e aproximadamente três horas e meia. Foram os melhores dias que eu podia ter vivido ao lado de uma pessoa. Nos amamos. Compartilhamos dores. Suspiramos. Sonhamos os mesmos sonhos. Acreditávamos que o amanha poderia ser diferente. Numa noite entregamo-nos e foi a melhor coisa que decidi fazer. O desejo era bem maior que nós dois. E na manha seguinte acordei deitada ao lado de um corpo totalmente imóvel e gelado. Você se foi. Meu coração por pouco aparentava parar de pulsar. Minha respiração ficara ofegante. Eu me desesperei por dentro. Por fora, uma única lágrima caiu. E na tarde, que não era tão tarde te ver naquele estado parecia surreal. Tentei me convencer que não estava morto. Foi um equivoco. Foi só mais um ataque. Um ataque como os demais. E então terra foi posta por cima de você. Eu estava ausente. Minha mente distante pensava em nós. Onde iriam parar todos os planos que fizemos? Será que é só isso, no final apenas fecha os olhos e acaba? Existe apenas dor. Meu coração estava indo junto com você. Eu podia sentir a profundidade em minha pele. Estava morrendo por dentro e ninguem poderia me salvar de mim mesma. Então corri. Corri muito mais do que as minhas pernas alcançavam. O vento forte que passava pelo meu rosto não deixava a lágrima salgada tocar a minha boca. Fiquei só. Eu e a árvore no meio do nada, onde era o nosso lugar secreto. E chorei. Mais até que um bebê quando acaba de vir ao mundo. Nascer... O que significa isso agora? Queria que tivessem me levado junto contigo. Não sou melhor que você. Não mereço mais. Não é justo. Assim, foram os meus dias. Sofrimento. Angústia. Falta. E mesmo hoje, tendo passado muitos anos desde que se foi me recordo da ultima vez em que o tive. A lágrima que agora cai é de alegria por ter conhecido alguém que eu pude chamar de meu. A chance que tive de tê-lo só pra mim. Vivo só. Eu continuo aqui. Na mesma casa. Os mesmos amigos. Meus sorrisos agora são compartilhados com Charly, meu cachorro. A minha vida passa. O tempo não para, fato. Estou viva e é trágico dizer isso sem você.
Nenhum comentário:
Postar um comentário