
Quarta-feira a tarde. Ele estava dez minutos atrazado. Era comum pra mim. Desta vez fui pontualíssima. Eu estava sentada no banco da praça conversando com as formigas e pensando no que dizer. Por volta das três. Ânsia de vômito. Nervosismo. Não sabia mais pra onde olhar. As formigas foram embora. Eu fiquei sozinha. Ainda no banco. Ainda na praça. E então o sol escureceu. Ele chegou e ofuscou todo o brilho. Meu cerebro me mandava comandos e eu não reagia. Simplesmente olhei no relógio. Eu e as minhas manias psicopaticas com o tempo. -É verdade, estou atrazado.- Um sorriso imenso e totalmente reluzente me impedia que eu fizesse qualquer movimento. Me deu um beijinho na testa, que meigo. Sentamos. Ou melhor, ele sentou, eu ja estava sentada. Enfim. Olhei pra todos os lugares. Observei a fusão de cores das plantas. A grama defeituosa. Os idosos fazendo caminhada. Ah, o vento fazia um som diferente tambem. Eu consegui reparar tudo, menos o seu olhar. Parecia uma eternidade. O tempo parecia andar em camera lentíssima. Segurou minha mão. E talvez nessa hora o meu coração tenha pulado pra fora da caixa torácica. Olhei dentro dos olhos dele e meus olhos brilhavam. As pessoas davam passos muito lentos. Os pássaros batiam as asas devagarzinho. O momento era nosso. Não foi preciso mil horas de diálogo pra saber que gostavamos um do outro. Me beijou. Fiquei mais nervosa ainda. Meus dedos entrelaçaram os dele. Automaticamente como por impulso estavamos grudados um no outro. E aquele abraço com beijo foi um dos melhores que já me deram. A respiração de ambos era ofegante. E todo o resto parou pra nos observar. Era lindo. Divino. Constrangedor. Sentamos novamente e falamos como deveria prosseguir aquilo entre nós. Em pensar que isso demorou seis anos pra acontecer. Lembrar que nos odiávamos quando faziamos a quinta-serie. Que tempo bom. E esse melhor ainda. Ou era melhor. Tudo acabou. E acabou muito antes de começar. Triste fim. Incrivel, minhas histórias são todas pessimistas. Mas a culpa realmente é minha. Eu tenho esse dom de afastar as pessoas. Daqui a uns dias é capaz que eu enjooe de mim mesma. Devo desculpas a ele. Aos tantos outros. E à mim. Mas na verdade, é isso. Isso e só. Bobagens minhas. Tolices. Loucura. Crueldade. Quer saber? Nomei como quiser.







